A menopausa pode estar acompanhada de mudanças na distribuição da gordura corporal, e muitas mulheres percebem diferenças na região da cintura depois dos 40. Essas alterações não acontecem por um único motivo: mudanças hormonais, envelhecimento, composição corporal, nível de atividade física, sono e outros fatores podem participar desse processo.
Mas por que a barriga pode mudar durante essa fase?
Durante a transição para a menopausa, a redução da função ovariana e as alterações nos níveis de estrogênio estão associadas a mudanças na composição e na distribuição da gordura corporal. Pode ocorrer uma maior tendência de concentração de gordura na região abdominal, incluindo a gordura visceral.
Isso significa que a menopausa inevitavelmente causa aumento da barriga? Não.
A relação é mais complexa. A idade e as mudanças na massa muscular, no gasto energético e no nível de atividade física também podem influenciar a composição corporal. Por isso, duas mulheres que passam pela menopausa podem apresentar mudanças bastante diferentes.
Neste artigo, você vai entender por que a barriga pode mudar durante a menopausa, o que acontece com a distribuição da gordura corporal e por que a medida da cintura pode mudar mesmo quando o peso na balança sofre pouca alteração.
Sumário
O que muda no corpo durante a menopausa?
A menopausa faz parte de uma transição natural da vida da mulher. Durante a perimenopausa e a menopausa, ocorrem mudanças na função ovariana e nos níveis dos hormônios sexuais, especialmente do estrogênio.
Essas alterações podem estar associadas a mudanças na composição corporal e na forma como a gordura é distribuída pelo corpo. Uma das mudanças observadas durante a transição menopausal é uma maior tendência de concentração de gordura na região central, incluindo a região abdominal.
Uma revisão publicada em 2024 descreve a relação entre menopausa, alterações hormonais e mudanças na composição corporal, incluindo o aumento da adiposidade visceral.
A Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa também descreve uma tendência de mudança do padrão de distribuição da gordura corporal, com maior concentração na região abdominal e visceral.
Entretanto, a menopausa não explica sozinha todas as mudanças que podem ocorrer depois dos 40.
O envelhecimento também está relacionado a alterações na massa muscular, no gasto energético e no nível de atividade física. Além disso, mudanças no sono, na alimentação e na rotina podem influenciar a composição corporal.
Por isso, a mudança na região abdominal durante essa fase deve ser entendida como resultado da interação entre diferentes fatores, e não como consequência de um único hormônio ou de uma única causa.
Menopausa e gordura abdominal: por que a concentração pode aumentar?
Uma das mudanças observadas durante a transição menopausal é a alteração na distribuição da gordura corporal.
Antes da menopausa, é comum que parte maior da gordura corporal esteja distribuída na região dos quadris e das coxas. Durante a transição para a menopausa, essa distribuição pode mudar, com maior tendência de concentração de gordura na região abdominal.
Esse processo é chamado de adiposidade central.
Pesquisas que avaliaram a composição corporal por métodos de imagem encontraram aumento da gordura visceral durante a transição menopausal. No SWAN Heart Study, por exemplo, foi observada uma aceleração do aumento da gordura visceral nos anos próximos à menopausa.
Uma revisão publicada em 2024 também relaciona a transição menopausal a mudanças na composição corporal e a uma maior tendência de acúmulo de gordura visceral.
Leia a revisão científica no PubMed.
Isso ajuda a explicar por que algumas mulheres percebem que a cintura muda durante essa fase mesmo quando o peso total não aumenta de forma expressiva.
É importante, porém, interpretar essa mudança com cuidado. A distribuição da gordura não depende somente dos hormônios. O envelhecimento, a massa muscular, o nível de atividade física, o sono, a alimentação e características individuais também podem influenciar a composição corporal.
Assim, a mudança na região abdominal durante a menopausa não deve ser entendida como um processo inevitável ou idêntico para todas as mulheres.
Menopausa causa ganho de gordura abdominal?
A resposta mais adequada é: a menopausa pode contribuir para mudanças na distribuição da gordura corporal, mas não é a única responsável pelo aumento da região abdominal.
Durante a meia-idade, diferentes processos acontecem ao mesmo tempo. As alterações hormonais da transição menopausal podem influenciar a distribuição da gordura, enquanto o envelhecimento também pode estar associado à redução gradual da massa muscular e a mudanças no gasto energético e no nível de atividade física.
Além disso, fatores como alimentação, sono, sedentarismo, genética e características individuais podem influenciar a composição corporal.
Por isso, duas mulheres com a mesma idade e no mesmo estágio da menopausa podem apresentar mudanças corporais bastante diferentes.
Também é importante diferenciar aumento de gordura corporal de redistribuição da gordura. Uma mulher pode não apresentar grande alteração no peso total, mas ainda assim perceber mudanças na cintura porque parte da gordura corporal passou a se concentrar mais na região abdominal.
Essa distinção ajuda a entender por que a balança, sozinha, não consegue mostrar todas as mudanças que podem acontecer durante a menopausa.
Portanto, não é correto afirmar que toda mulher necessariamente terá aumento de gordura abdominal depois dos 40. A composição corporal resulta da interação entre fatores hormonais, idade, massa muscular, atividade física, alimentação, sono e características individuais.
Qual é a diferença entre gordura subcutânea e gordura visceral?
Nem toda gordura localizada na região abdominal é igual. Duas formas importantes de gordura são a subcutânea e a visceral, que ficam em locais diferentes do corpo.
Gordura subcutânea
É a gordura localizada logo abaixo da pele. É a camada que pode ser percebida e, em muitas regiões do corpo, pode ser apalpada.
A gordura subcutânea faz parte da composição corporal normal. Sua quantidade pode variar entre pessoas e ao longo da vida.
Gordura visceral
A gordura visceral está localizada mais profundamente na cavidade abdominal, ao redor dos órgãos internos.
Diferentemente da gordura subcutânea, ela não pode ser identificada com precisão simplesmente olhando ou apalpando a barriga. Métodos de imagem, como tomografia e ressonância magnética, podem ser utilizados para avaliar sua quantidade.
O excesso de gordura visceral está associado a alterações metabólicas e a maior risco de problemas cardiometabólicos. Por isso, quando se fala em saúde abdominal, é importante considerar não apenas o tamanho ou a aparência da barriga, mas também a composição corporal e outros indicadores de saúde.
Essa diferença também ajuda a explicar por que o formato da cintura não permite determinar, sozinho, quanto de gordura visceral uma pessoa possui.
O objetivo de cuidar da composição corporal depois dos 40, portanto, não precisa ser buscar uma barriga completamente reta. Uma abordagem mais adequada é considerar saúde metabólica, força, capacidade funcional, composição corporal e qualidade de vida.
A cintura pode mudar mesmo sem grande aumento de peso
Uma mudança que pode chamar a atenção durante a menopausa é o aumento da circunferência da cintura mesmo quando o peso corporal não apresenta uma grande diferença.
Isso pode acontecer porque o peso total não mostra como a massa corporal está distribuída.
Imagine, por exemplo, uma mulher que aos 42 anos pesa aproximadamente o mesmo que aos 52. Mesmo com pouca alteração na balança, sua composição corporal pode ter mudado ao longo desse período.
Ela pode apresentar:
- menor quantidade de massa muscular;
- maior proporção de gordura corporal;
- maior concentração de gordura na região abdominal;
- mudanças no nível de atividade física.
Nesse cenário, o peso total pode permanecer relativamente estável enquanto a medida da cintura e o formato do corpo se modificam.
Isso não significa que toda mudança na cintura seja causada pela menopausa. A idade, a composição corporal, a alimentação, a atividade física, o sono e outros fatores também podem participar dessas alterações.
Por isso, a balança não deve ser interpretada como o único indicador de mudança corporal.
A circunferência da cintura pode fornecer uma informação adicional sobre a distribuição da gordura, enquanto medidas de composição corporal, força, condicionamento físico e outros indicadores de saúde podem ajudar a formar uma visão mais completa.
Mais importante do que comparar o corpo atual com o corpo de décadas anteriores é compreender quais mudanças estão acontecendo e quais aspectos da saúde podem ser acompanhados ao longo do tempo.
O papel da alimentação
A alimentação é um dos fatores que podem influenciar a composição corporal durante a menopausa, mas não existe um alimento específico capaz de impedir a redistribuição da gordura ou eliminar a gordura abdominal.
Mais importante do que procurar uma dieta específica é observar o padrão alimentar ao longo do tempo.
Uma alimentação equilibrada pode incluir regularmente:
- verduras e legumes;
- frutas;
- feijão e outras leguminosas;
- cereais integrais;
- fontes adequadas de proteínas;
- castanhas e sementes;
- fontes de gorduras insaturadas;
- água em quantidade adequada às necessidades individuais.
Também pode ser útil reduzir a frequência de bebidas açucaradas e de alimentos ultraprocessados quando eles ocupam uma parcela muito grande da alimentação.
Essas escolhas não anulam as mudanças naturais associadas à menopausa. O objetivo é contribuir para uma alimentação adequada às necessidades individuais e para a manutenção de uma composição corporal saudável.
Para aprofundar o assunto, veja também:
- Alimentação na menopausa: o que priorizar no dia a dia
- Fibras para mulheres 40+: como a alimentação pode ajudar na saciedade
- Proteína na menopausa: como ela pode ajudar na massa muscular
- Gorduras saudáveis na menopausa: quais escolher e como incluí-las na alimentação
Por que preservar a massa muscular é tão importante?
A massa muscular é outro componente importante para entender as mudanças na composição corporal depois dos 40.
Com o envelhecimento, é natural ocorrer uma redução gradual de massa e força muscular. Durante a transição menopausal, alterações na composição corporal podem tornar ainda mais importante prestar atenção à preservação da massa muscular.
Quando a quantidade de músculo diminui e a quantidade de gordura aumenta, mesmo que o peso total permaneça relativamente estável, a composição corporal pode se modificar.
Isso ajuda a explicar por que algumas mulheres percebem mudanças no formato do corpo e na região da cintura sem uma grande diferença na balança.
A prática regular de atividade física, especialmente exercícios que estimulam a força muscular, faz parte das estratégias utilizadas para preservar a massa e a função muscular ao longo do envelhecimento.
A Diretriz Brasileira sobre Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa destaca a importância da atividade física para benefícios relacionados à força muscular, ao equilíbrio e à saúde óssea.
Para aprofundar esse tema, veja também:
- Treino de força na menopausa: benefícios para a massa muscular, ossos e controle do peso
- Menopausa e massa muscular: como preservar os músculos depois dos 40
- Exercícios para mulheres 40+: opções para fortalecer o corpo e ajudar na gordura abdominal
Atividade física e composição corporal
O nível de atividade física também pode influenciar a composição corporal durante a meia-idade.
A redução da atividade física ao longo dos anos pode contribuir para menor gasto energético e perda de condicionamento físico. Quando isso acontece ao mesmo tempo que ocorrem mudanças hormonais e redução da massa muscular, a composição corporal pode se modificar ainda mais.
A atividade física regular contribui para a manutenção da capacidade funcional, do condicionamento e da massa muscular. Caminhadas, por exemplo, podem fazer parte de uma rotina ativa, enquanto exercícios de força têm papel importante na preservação da musculatura.
A Organização Mundial da Saúde recomenda, para adultos, pelo menos 150 a 300 minutos semanais de atividade aeróbica de intensidade moderada, ou quantidade equivalente de atividade vigorosa, além de atividades de fortalecimento muscular em pelo menos dois dias por semana.
Essas são recomendações gerais para adultos e não significam que uma pessoa sedentária precise atingir esse volume imediatamente. O nível de atividade deve ser adaptado às condições e possibilidades de cada pessoa.
Para saber mais especificamente como utilizar a caminhada como parte de uma rotina ativa, veja:
Caminhada na menopausa: como começar e quais benefícios ela pode oferecer depois dos 40
Sono, estresse e rotina também importam
As mudanças na composição corporal durante a menopausa não acontecem isoladamente. O sono, o estresse e a organização da rotina também podem influenciar o comportamento e os hábitos relacionados à saúde.
Durante essa fase, algumas mulheres apresentam alterações no sono, que podem estar relacionadas a sintomas como ondas de calor e suores noturnos. O descanso insuficiente pode dificultar a manutenção de uma rotina regular de atividade física e alimentação.
O estresse também pode interferir no sono, na disposição e nos comportamentos alimentares. Entretanto, não é adequado atribuir diretamente o aumento da gordura abdominal a um único hormônio ou a um episódio de estresse.
Esses fatores devem ser compreendidos dentro de um contexto mais amplo, que inclui mudanças hormonais, envelhecimento, massa muscular, alimentação, atividade física e características individuais.
Para aprofundar esses assuntos, veja também:
- Sono na menopausa: como dormir melhor pode ajudar no controle do peso e da gordura abdominal
- Estresse na menopausa: como o estresse pode influenciar o sono, a fome e o controle do peso
- Cortisol na menopausa: como o estresse pode influenciar o peso, a fome e a gordura abdominal
O que evitar: promessas rápidas e soluções milagrosas
Mudanças na distribuição da gordura corporal durante a menopausa não devem ser interpretadas como um problema que possa ser resolvido por uma solução rápida ou por um produto específico.
Promessas de perda localizada de gordura, resultados garantidos em poucos dias ou métodos que atribuem a redução da barriga a um único alimento, suplemento ou hormônio não refletem a complexidade das mudanças que podem ocorrer nessa fase.
Uma abordagem mais adequada é considerar o conjunto de fatores envolvidos, como alimentação, atividade física, massa muscular, sono, idade, alterações hormonais e características individuais.
O objetivo não é buscar uma solução imediata, mas compreender essas mudanças e adotar hábitos sustentáveis de acordo com as necessidades de cada pessoa.
Quando conversar com um profissional de saúde?
As mudanças na cintura e na composição corporal durante a menopausa podem fazer parte das transformações dessa fase, mas não devem ser interpretadas automaticamente como consequência apenas da menopausa.
Vale conversar com um profissional de saúde quando houver mudanças corporais que causem preocupação, ganho de peso persistente ou inesperado, alterações importantes nos sintomas da menopausa ou dificuldade para manter hábitos de alimentação, sono e atividade física.
Uma avaliação individual pode considerar histórico de saúde, medicamentos, alimentação, nível de atividade física e outros fatores que podem influenciar o peso e a composição corporal.
O acompanhamento também pode ajudar a definir estratégias adequadas para cada pessoa, especialmente quando existem outras condições de saúde ou necessidades específicas.
Conclusão
A menopausa pode estar associada a mudanças na composição corporal e a uma maior tendência de concentração de gordura na região abdominal. No entanto, essas alterações não dependem exclusivamente dos hormônios.
Idade, massa muscular, atividade física, alimentação, sono, sedentarismo, genética e características individuais também podem influenciar a composição corporal e a distribuição da gordura.
Por isso, compreender a relação entre menopausa e gordura abdominal é mais útil do que buscar uma solução rápida ou uma fórmula para “perder barriga”.
O foco deve estar na saúde e na composição corporal como um todo, considerando hábitos sustentáveis e as necessidades individuais de cada pessoa.
Compreender essas mudanças ajuda a interpretar melhor o que acontece com o corpo depois dos 40 e a evitar promessas simplistas sobre emagrecimento ou redução localizada de gordura.
Programa Adeus Barriga 40+
Se você deseja aprofundar a parte prática sobre organização de hábitos relacionados à alimentação, hidratação, sono, atividade física e planejamento da rotina, o Programa Adeus Barriga 40+ reúne esse conteúdo em um guia digital voltado para mulheres 40+.
Conheça o Programa Adeus Barriga 40+:
Clique aqui para conhecer o Programa Adeus Barriga 40+
Importante: o programa tem finalidade educativa e não substitui avaliação, diagnóstico ou orientação individualizada de profissionais de saúde.
Fontes científicas
- Palacios S, et al. Obesity and menopause. Gynecological Endocrinology, 2024.
- Sociedade Brasileira de Cardiologia e sociedades participantes. Diretriz Brasileira sobre a Saúde Cardiovascular no Climatério e na Menopausa – 2024.
- Samargandy S, et al. Abdominal visceral adipose tissue over the menopause transition and carotid atherosclerosis: the SWAN Heart Study. Menopause, 2021.
- Banack HR, Bea JW, Chen Z, et al. Longitudinal patterns of abdominal visceral and subcutaneous adipose tissue, total body composition, and anthropometric measures in postmenopausal women: Results from the Women’s Health Initiative. International Journal of Obesity, 2023.
- World Health Organization. WHO Guidelines on Physical Activity and Sedentary Behaviour.



